Navalha Infame

A Beleza da Teatralização Musical

Enviado em Cinemascope, Música by B.Cardoso em Outubro 21st, 2007

Uma coisa é a banda simplesmente tocar. Outra é o incorporar da canção e o aspecto teatral que se constrói sobre a letra e a melodia para tirar o público da inércia.

Um amigo me enviou um vídeo muito legal de uma apresentação ao vivo em sabe-se lá onde da banda holandesa Focus, em 1973. Quem se interessa por rock progressivo e afins já deve ter ouvido algumas músicas desses caras e com certeza uma delas foi o clássico Hocus Pocus.

Segue o vídeo, encontro vocês logo depois.

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Sempre achei incrível esta personalização das músicas, esta teatralização para fugir dos padrões e tornar as apresentações ainda mais interessantes.

Tudo bem, me dirão que não teria como apresentar essa música de outro jeito. Concordo plenamente: ela foi feita pra isso. Toda essa mistura caótica de vocais nonsense e solos de guitara, flauta, teclado e assobio (!) já é, por si só, única. Mas o jeito hiperativo e insano do Thijs van Leer contribui bastante para o espetáculo.

Outro bom exemplo dessas teatralizações eufóricas é a performance do Ian Anderson, do Jethro Tull, neste vídeo de 1977 transmitido pela BBC da música Aqualung:

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Há, como podemos ver, substâncias ilícitas que vêm para o bem.

E é claro que Jim Morrison não poderia deixar de ser citado aqui. Leitor atento de Artaud, Jim sempre buscou combater a inércia do público e assumir que cada apresentação deveria representar um risco, o que explica a gradual transformação dos concertos do The Doors em uma espécie de modernos rituais dionisíacos. Não é a toa, também, que tal postura fosse, por várias vezes, mal recebida a ponto de causar problemas até mesmo com a polícia (Jim foi o primeiro cantor a ser detido durante uma apresentação).

Há diversos traços teatrais nas apresentações do The Doors, sendo a mais marcante delas a que se dá no clímax da música The End, onde Jim lança-se ao chão e ali transmuta-se, aos berros, em Édipo.

Outra encenação interessante é a da musica Unknown Soldier, uma crítica à guerra do Vietnam, quando há a simulação de uma execução. Cá está o registro dessa canção numa apresentação de 1968, se não me engano, no Hollywood Bowl:

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Enfim, tudo isso é sensacional. Não escrevi este texto apenas para emoldurar os vídeos, mas sim por que é algo que realmente me atrai. Portanto, ó amigos, não se acanhem em recomendarem-me preciosidades como as que aqui estão, certo?

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