Navalha Infame

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Considerações sobre o “Equívoco Circular”

com 7 comentários

Ou de quando se está redondamente enganado.

Equivoco Circular

Todos se enganam e isso é absolutamente normal e compreensível. Quem se engana está (obviamente) enganado, equivocado ou seja lá quais palavras se queiram usar para rotular o sujeito.

O fato é que quando a pessoa não está correta em suas afirmações ou convicções, às vezes torna-se necessário quantificar o erro: diz-se que fulano está pouco enganado, muito enganado, completamente enganado ou até estupidamente enganado. Porém, se nosso hipotético fulano está redondamente enganado, preocupemo-nos.

Já seria um tapa na cara do sujeito afirmar que ele está, não só enganado, mas enganado de forma estúpida, como acabamos de exemplificar. No entanto, estar enganado de forma redonda (o que é um terrível agravante) é algo que merece uma breve reflexão: talvez a idéia do círculo, da coisa redonda, no caso o engano, venha de uma suposta perfeição ou completude do erro.

Ora, é sabido que o círculo é uma forma perfeita e é usado por muitas culturas para simbolizar o poder divino; o homem, por outro lado, teria um quadrado como sua representação. Se não me trai a memória, este é um dos motivos pelos quais alguns templos têm a forma octogonal, pois esta seria a melhor representação para algo entre o humano e o divino.

Mas, enfim, divago. E espero não ter sido vítima de nenhum engano geométrico.

Como eu dizia, a forma redonda de um engano deve simbolizar o equívoco lapidar, o erro escultural, o deslize majestático e o engano completo. Tudo isso. Não bastaria, entretanto, afirmar que fulano está totalmente enganado, pois isto seria pouco para sua imbecilidade (pontual ou não).

O sujeito que está redondamente enganado tem plena convicção, fé e sequer cogita a possibilidade de estar ligeiramente incorreto em suas afirmações ou crenças. Moldou o equívoco durante muito tempo, imerso em seu isolamento esquizofrênico e paranóia megalomaníaca, de tal modo que a forma perfeita da sandice reflete-se, agora, como verdade absoluta.

Poder-se-ia dizer que alguns, já em estado terminal, abrem mão da forma circular e vislumbram uma nova dimensão: abstraem os fatos, minimizam o raciocínio, pervertem a razão. Moldam para si uma esfera.

Depois disso, não há o que fazer. Nem tango argentino, nem nada. São estes, para cunhar aqui uma nova expressão, os esfericamente enganados. Exemplos? Fácil: Fundamentalistas religiosos e membros da seita Herbalife.

E haja paciência com os enfermos!

Escrito por B.Cardoso

10/10/2007 às 09:00

Publicado em Literatura, Vulgar

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7 Respostas

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  1. Ótimo texto. Fico imaginando se existe alguém hiperesféricamente equivocado.

    Renan

    10/10/2007 em 16:40

  2. Infelizmente deve existir. Pois como Einstein certa vez disse: “Existem duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens.”

    B.Cardoso

    11/10/2007 em 17:43

  3. E ele tinha dúvidas quanto ao primeiro. ^^

    Renan

    11/10/2007 em 22:56

  4. Eu não consigo acreditar que os esfericamente enganados realmente levem a sério as coisas em que acreditam. Eles só podem estar fingindo! :P

    Gabriela

    13/10/2007 em 00:15

  5. Alguns, de fato, devem ser ótimos atores. Mas os outros, menos talentosos, mergulham de cabeça num fantástico mundo onde tudo é verossímil e lhes convém. Deve ser o melhor dos mundos.

    B.Cardoso

    13/10/2007 em 00:41

  6. Sem falar naqueles que tentam enganar esfericamente os outros por dinheiro.

    Renan

    14/10/2007 em 17:42

  7. [...] Enfim, só quero que fique claro que fé é uma coisa e estupidez, como vocês puderam ver, é outra, apesar de que em alguns casos a linha entre as duas seja bastante tênue… [...]


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